Home Turismo Turistas encaram altos e baixos para chegar a Morro de São Paulo,...

Turistas encaram altos e baixos para chegar a Morro de São Paulo, na ilha de Tinharé

575
0

Vila a 60 quilômetros de Salvador é cheia de ladeiras, que dão acesso a mirantes e praias com piscina natural.

Se seu próximo destino for Morro de São Paulo, na Bahia, aqui vai um conselho: leve pouca coisa ou apele para mala de rodinha. Isso, claro, se pretende carregar a bagagem por conta própria até o hotel.
A vila está a cerca de 60 quilômetros de Salvador (em linha reta), na ilha de Tinharé, que pertence ao município-arquipélago de Cairu. Este, por sua vez, engloba a ilha de mesmo nome, a ilha de Boipeba e outras 23. Logo após a chegada de barco ao Morro, o turista já tem de enfrentar uma ladeira de tirar o fôlego –literalmente. Depois, encontra mais decidas e subidas, que fazem o destino inacessível a pessoas com dificuldade de locomoção.

Se não der para economizar nas malas, é bom pegar um táxi. Em Morro, isso significa contratar os serviços de um dos carregadores que ficam à espera dos turistas no píer com seus carrinhos de mão.
Ao todo, no povoado, são cerca de 200 carregadores, que se organizam em quatro associações: uma responsável pelo transporte dos pertences dos moradores e outras três que atendem aos turistas. O preço varia de acordo com o tamanho da bagagem: R$ 10, R$ 15 ou R$ 20.

Carros não entram na ilha. Nas ruelas, circulam apenas pedestres. Há uma estrada de terra por onde passam veículos de serviço e de hotéis. Quem visita Morro é obrigado a pagar uma taxa de R$ 15, independentemente do tempo de estadia. A cobrança é uma tentativa de restringir o acesso à vila, que tem em torno de 8.000 habitantes e recebe 400 mil turistas por ano, com maior procura no período de outubro a março.

Entre março e julho, há outro fluxo importante: o de viajantes israelenses. Em geral, são grupos de jovens recém-saídos do serviço militar obrigatório, que descobrem o destino pelas redes sociais.
Partindo de Salvador, é possível pegar um catamarã para Morro (são duas horas e meia de viagem). Não é recomendado, porém, para quem costuma enjoar em embarcações.
A alternativa é fazer um trajeto marítimo-terrestre-marítimo, por conta própria ou por meio de operadoras de turismo. Nesse caso, são 40 minutos de barco até a ilha de Itaparica, uma hora e meia de ônibus até Valença e mais 12 minutos de lancha até Morro.

O portal do vilarejo, por onde passam todos aqueles que chegam, é o mesmo da Fortaleza de Morro de São Paulo. A fortificação começou a ser construída em 1630 para defender a região de invasores. Foi desativada em 1907 e acabou em ruínas, mesmo tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1938.
Após uma restauração, entre 2009 e 2017, o espaço ganhou estrutura para virar museu, cujo funcionamento ainda depende de licitação.

Hoje, podem ser acessadas a parte externa do forte e a muralha de 678 metros para chegar até ele. A visita, gratuita, pode ser feita das 9h às 18h30. Mas o horário de maior movimento é ao entardecer.
O pôr do sol é um grande evento em Morro. Outros locais perto da fortaleza são disputados pelos turistas para assisti-lo: o restaurante ao ar livre do hotel Portaló e, no alto do morro, o bar Toca do Morcego e o Mirante do Farol.

O lounge da Toca do Morcego tem mesas e pufes em meio às árvores e música eletrônica. Oferece uma das melhores vistas do entardecer –um pouco comprometida, porém, pela quantidade de selfies. A entrada custa R$ 15 e uma cerveja long neck, R$ 12. Para ir ao mirante, é preciso continuar a subida por mais alguns minutos. No fim do caminho, à esquerda, chega-se a um deque, à beira de um barranco: uma vista igualmente bonita –e gratuita.

À direita, há outro mirante de onde se tem boa visão das praias. De lá sai uma tirolesa com 70 metros de altura e 340 metros de extensão. A descida custa R$ 50 por pessoa e acaba no mar, na Primeira Praia.
Em Morro, as praias são nomeadas em sequência: Primeira, Segunda, Terceira, Quarta e Quinta. Quanto menor o número da praia, mais perto ela fica da vila –e suas lojas, pousadas e restaurantes ao longo da rua principal.

Com mais ondas, a Primeira Praia é menos frequentada pelos turistas, que se concentram, sobretudo, na Segunda, em razão da boa estrutura de restaurantes e das águas tranquilas. A Terceira é o ponto de saída dos passeios de barco. Já a principal atração da Quarta Praia são as piscinas naturais que se formam na maré baixa. Ali, nem é preciso mergulhar para ver peixes.

À frente, está a Quinta, também conhecida como praia do Encanto. Com poucos hotéis, é ideal para se afastar da muvuca. Quando a maré fica baixa, ganha uma larga faixa de areia, emoldurada por um manguezal.

Outra praia que merece ser visitada é a Gamboa. Dá para ir para lá de barco ou por uma caminhada de cerca de 40 minutos, a partir do píer de Morro de São Paulo. O percurso só pode ser feito na maré baixa e passa por meio de pedras e pontes não muito seguras.

Turistas lambuzados de lama dos pés à cabeça são sinal de que se chegou ao povoado da Gamboa. Ali, há um paredão de argila, anunciada como medicinal.