Iniciativa na segunda maior comunidade libanesa do Brasil aposta no diálogo para reduzir estereótipos e ampliar a compreensão sobre a cultura árabe
BEIRUTE — Em um momento em que o Líbano volta a ocupar espaço constante no noticiário internacional por causa da escalada dos conflitos no Oriente Médio, uma iniciativa desenvolvida em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, chama a atenção por um motivo diferente. Em vez de tratar apenas da guerra, a comunidade islâmica decidiu abrir suas portas para apresentar sua história, sua cultura e sua religião aos profissionais da imprensa e à sociedade brasileira, paraguaia e argentina.
Promovido pela Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, o encontro contará com jornalistas, comunicadores e convidados para uma experiência de imersão na cultura islâmica. Gastronomia, tradições, religião, história da imigração árabe e o papel da comunidade libanesa na formação econômica da Tríplice Fronteira fazem parte da programação.
Os participantes serão recebidos pela gerente do Centro de Recepção ao Visitante, Hola El Kadri, pelo sheikh Oussama El Zahed, pelo presidente do Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu, Mohamed Beha Rahal, e por Faisal Ismail, em um ambiente pensado para promover diálogo e conhecimento.
A iniciativa acontece em uma das cidades mais representativas da imigração libanesa no Brasil. Foz do Iguaçu abriga uma das maiores comunidades árabes da América Latina e tornou-se referência internacional pela convivência entre diferentes povos, religiões e culturas. Ao longo de décadas, descendentes de libaneses ajudaram a transformar a cidade em um dos principais polos comerciais e turísticos do país.
A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, inaugurada na década de 80, ultrapassou há muito tempo sua função exclusivamente religiosa. Hoje, figura entre os principais atrativos turísticos de Foz do Iguaçu e recebe dezenas de milhares de visitantes todos os anos por meio de um centro de recepção estruturado para explicar o islamismo de forma acessível ao público brasileiro.
Para quem acompanha diariamente os acontecimentos no Líbano, compreender o islamismo deixou de ser apenas uma questão religiosa. Tornou-se também uma necessidade jornalística.
Especialistas em cobertura internacional alertam que parte das informações equivocadas sobre o Oriente Médio nasce da dificuldade em distinguir aspectos religiosos, culturais, políticos e históricos. Generalizações sobre comunidades muçulmanas, confusões entre nacionalidade e religião e interpretações imprecisas dos conflitos ainda aparecem em parte da cobertura produzida fora da região.
Ao aproximar jornalistas brasileiros da comunidade islâmica, a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab contribui para ampliar o conhecimento sobre uma população que faz parte da história do Brasil há mais de um século. Em tempos de intensa circulação de informações e desinformação, iniciativas voltadas ao diálogo tornam-se instrumentos importantes para fortalecer uma cobertura mais contextualizada, precisa e respeitosa.
Direto de Beirute, compreender o Líbano também significa compreender seu povo, sua diversidade religiosa e cultural e as comunidades que mantêm viva essa história muito além das fronteiras do Oriente Médio.







