Beirute – A presença de uma criança brasileiro-libanesa em um dos países mais vulneráveis da África Austral ganhou destaque no final de dezembro, quando Noah Aref Braga Muhieddine, de sete anos, foi homenageado em Maputo pela Aurora Mission LTDA após participar de uma ação voluntária em comunidades moçambicanas. Representando Brasil e Líbano, ele contribuiu para iniciativas sociais que alcançaram centenas de famílias na capital e em regiões periféricas.

Noah passou o período do Natal em áreas de extrema vulnerabilidade social, onde viveu experiências diretas com crianças que enfrentam insegurança alimentar e falta de acesso a serviços básicos. O impacto de sua presença foi notado principalmente entre os mais jovens, quando levou consigo uma réplica da bola oficial da Copa do Mundo de 2026 e promoveu partidas de futebol improvisadas com meninos moçambicanos. A cena, registrada por moradores locais, simbolizou o poder de conexão do esporte e reforçou a presença brasileira no imaginário africano.
Em Maputo, o menino recebeu uma homenagem de Daniel Barwani, representante da Aurora Mission, pelo engajamento voluntário. A instituição destacou a importância de ações que promovem integração entre povos e reforçam valores de solidariedade em um contexto complexo.

Além das ações lúdicas com crianças, Noah também levou ao país máquinas de costura destinadas ao projeto Dorcas de Fé & Fios, criado e coordenado pela brasileira Eliana Santos, mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo e diplomata humanitária internacional. O projeto atua desde fevereiro de 2025 com mulheres abaixo da linha da pobreza e trabalha para capacitá-las profissionalmente no setor de costura e confecção, oferecendo formação técnica regular e apoio psicossocial.
Com a doação recém-chegada, mulheres formandas poderão, após a conclusão do curso prevista para julho de 2026, receber equipamentos próprios para iniciar atividades produtivas de forma independente. A proposta é reduzir a dependência externa e fortalecer a autonomia econômica feminina.

Segundo Eliana Santos, o fortalecimento estrutural do projeto é considerado prioritário. “Esse tipo de doação nos ajuda a capacitá-las. Matar a fome é emergencial, mas dar oportunidade para que elas possam seguir sem a nossa dependência é o essencial. Precisamos de muitas outras doações que possam contemplar o projeto dessa forma”, afirmou.
A iniciativa também chamou atenção por envolver diplomacia cultural e voluntariado sem exposição degradante dos beneficiados. Diferente de campanhas assistencialistas que recorrem a imagens de miséria para gerar impacto, a ação concentrou-se em atividades de integração e desenvolvimento social, com ênfase em autonomia econômica.
Para o Líbano, país com uma das maiores diásporas do mundo, a identificação com iniciativas que envolvem reconstrução, comércio e capacitação não é nova. Historicamente, libaneses e seus descendentes estiveram presentes na formação econômica de diversas nações africanas e latino-americanas, especialmente por meio de mercados populares, costura, comércio e empreendimentos independentes. A presença de Noah Muhieddine em Moçambique resgata parte desse simbolismo, agora mediado por uma nova geração.

A visita encerrou um ciclo voluntário que ainda repercute entre moradores locais. O projeto Dorcas segue aberto a apoios institucionais e privados, e novas etapas estão previstas para os próximos meses.







