Depois de anos marcados por instabilidade política, tensões regionais e grave crise econômica, o Líbano dá sinais concretos de recuperação. E no centro desse movimento está um setor que, por décadas, sustentou grande parte da economia nacional: o turismo.
Aos poucos, o país volta a ser reconhecido pelo que sempre foi, uma joia à beira do Mediterrâneo. Com a suspensão de proibições de viagem por parte de países do Golfo e com a retomada parcial de relações diplomáticas com antigos aliados da região, o Líbano se reorganiza para receber turistas com alto poder aquisitivo.
O setor turístico já representou cerca de 20% do Produto Interno Bruto libanês. Agora, com foco estratégico e investimento em promoção internacional, o objetivo é reocupar essa posição. Das praias cristalinas de Batroun aos resorts em Jbeil, passando por estações de esqui nas montanhas do norte e ruínas milenares em Baalbek, o Líbano oferece diversidade, hospitalidade e autenticidade.
“A ocupação hoteleira em Beirute durante o Eid al-Adha atingiu cerca de 80%. É um excelente indicativo para a temporada de verão”, declarou Pierre Achkar, presidente da Federação Libanesa de Sindicatos de Turismo. Segundo ele, a expectativa é que o verão de 2025 traga um crescimento sustentado no fluxo de visitantes, especialmente oriundos da Península Arábica.
Entre os atrativos mais valorizados pelos turistas estão: A geografia única, que permite deslocamentos curtos entre litoral e montanhas, oferecendo experiências variadas em poucos dias. O patrimônio histórico, com destaque para sítios arqueológicos como Biblos e Baalbek. A cena gastronômica e noturna de Beirute, reconhecida por sua sofisticação e autenticidade. A estrutura hoteleira de alto padrão, que combina tradição e luxo, privacidade e serviço premium.
O desafio para consolidar essa retomada passa por três frentes: segurança interna, estabilidade política e atração de investimentos externos. Ainda assim, o otimismo volta a circular nas ruas de Beirute. Proprietários de hotéis, agências de turismo e guias locais apostam em um verão movimentado e, acima de tudo, simbólico, como sinal de que o país segue em pé.
Para os descendentes de libaneses que vivem no Brasil, o momento também é de reconexão. Cada real investido em produtos, serviços ou viagens ao Líbano fortalece a economia e ajuda a preservar as raízes de um povo que construiu pontes entre os dois lados do oceano.







