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Mãe de brasileiro preso no Líbano cria vaquinha para pagar defesa

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Casal está detido no Líbano desde dezembro de 2022. Imagem: Arquivo Pessoal

Suspeito de tentar entrar no país com droga, Igor Antônio dos Santos Cabral (26) está preso no Líbano desde 19 de dezembro. No Brasil, a mão dele, Claudete dos Santos, lançou, uma campanha de arrecadação virtual para conseguir arcar com os gastos com a defesa do brasileiro. A vaquinha tem o objetivo de arrecadar R$ 80 mil. 

DINHEIRO ARRECADADO

Até a manhã desta segunda-feira (23), a campanha já havia arrecadado R$ 634,00 através de 18 apoiadores.

“Eu, Claudete em prol de meu filho venho pedir ajuda para arrecadar um valor de 80.000 para ajudar ele a ter uma defesa em outro pais. Eu, como mãe peço ajuda de qualquer valor pois estou desesperada, pois quem nos conhece sabe que meu filho precisa muito e é inocente e tem um bom coração”.

Igor dos Santos e Juliana Nunes (31), foram detidos no Aeroporto Internacional Rafic Hariri, em Beirute, em 19 de dezembro, depois de tentarem entrar no país com cocaína.

Cabral e Juliana partiram do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, Brasil, a bordo de um voo da Qatar Airways que fez a conexão em Doha.

Cabral é da cidade brasileira de Carazinho (RS). Os familiares afirmaram que eles se conheceram enquanto o músico tocava em uma boate da cidade, onde Juliana trabalhava no local. Ela é natural de Belém (PA).

POR QUE O BRASIL PODERÁ NÃO EXTRADITAR O CASAL?
Dificilmente os brasileiros serão extraditados para o país de origem. O Líbano não tem tratado de extradição com o Brasil.
Os dois países assinaram um acordo de extradição em 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso. O texto foi ratificado no Brasil, mas segundo o governo brasileiro, o Líbano ainda não aprovou. A legislação penal libanesa impede que seja concedida a extradição a não ser para países que tenham o tratado, o que não é o caso do Brasil.

MOROSIDADE JUDICIAL

Eles devem encontrar inúmeros obstáculos por causa da morosidade judicial e falta de energia elétrica. O judiciário do Líbano está paralisado desde agosto, quando os juízes iniciaram uma greve sem fim para exigir melhores salários.

São aproximadamente 7 mil presos no país. Alguns aguardam por uma audiência há mais de três anos. Às vezes, quando conseguem uma audiência judicial, acabam não comparecendo porque as autoridades não conseguem garantir combustível ou transporte para os detentos.

Por dia, em média, é ofertado uma hora de energia elétrica. Os chuveiros nas prisões são de água fria.

O ministro do Interior, Bassam Mawlawi, disse em setembro que a crise econômica do Líbano “multiplicou o sofrimento dos presos”.

Ele citou escassez de alimentos, energia elétrica, medicamentos e más condições nas celas.