O azeite de oliva produzido no Líbano está cada vez mais presente no mercado brasileiro, resultado de uma tradição milenar e do esforço de famílias que há gerações transformam o cultivo da oliveira em base econômica e cultural. Entre essas histórias está a da família Maroun, originária da região de Bqaatouta, no distrito de Keserwan, no Monte Líbano. Foi ali, nas montanhas propícias ao cultivo da oliveira, que Boulos Maroun, patriarca da família, começou ainda na década de 1960 um trabalho pioneiro de envase e comercialização de azeite de oliva premium.
O Líbano é um dos países com mais longa tradição na olivicultura. As oliveiras ocupam mais de 58 mil hectares do território libanês, especialmente nas regiões do norte e do Monte Líbano, onde o clima mediterrâneo favorece a produção de azeitonas com características sensoriais únicas. Entre as variedades cultivadas, destacam-se a Souri e a Ayrouni, que oferecem sabores frutados e notas herbáceas muito apreciadas nos mercados internacionais.
A tradição da família Maroun consolidou-se ao longo das últimas seis décadas, com a fundação da Atyab Company, hoje dirigida por Tony Boulos Maroun, filho do fundador. A empresa mantém o compromisso com métodos tradicionais de cultivo e extração, ao mesmo tempo em que investe em processos industriais certificados, assegurando qualidade e segurança alimentar. O azeite Boulos, assim como outros produtos derivados da oliveira, como azeitonas, já obteve certificações internacionais como a ISO de segurança alimentar, reforçando sua competitividade no mercado global.
Segundo dados da Organização Internacional do Azeite de Oliva, o Líbano produziu cerca de 120 mil toneladas de azeite em anos recentes, um volume expressivo, embora modesto quando comparado aos grandes produtores mediterrâneos. Contudo, o diferencial libanês está na qualidade do produto, associada à diversidade de terroirs e ao manejo artesanal, preservado por famílias como os Maroun.
As exportações libanesas, antes concentradas principalmente nos Estados Unidos e nos países do Golfo, vêm se diversificando. O Brasil, que abriga a maior comunidade libanesa fora do Oriente Médio, responde atualmente por parte relevante das exportações. Estima-se que aproximadamente 10% do azeite de oliva exportado pelo Líbano tenha como destino o mercado brasileiro, impulsionado não apenas pela demanda da diáspora, mas pelo crescente interesse do consumidor brasileiro por produtos gourmet e de origem controlada.
Para Tony Maroun, o fortalecimento da presença do azeite libanês no Brasil é estratégico para a economia do país. “O mercado brasileiro tem um potencial enorme. A nossa relação com o Brasil não é apenas comercial, mas cultural. São milhões de descendentes de libaneses que reconhecem e valorizam nossos produtos”, destaca o empresário.
O impacto desse comércio para a economia libanesa é significativo. A exportação de azeite de oliva gera renda para milhares de pequenos agricultores e ajuda a mitigar parte dos efeitos da prolongada crise econômica que atinge o país. Aproximadamente 60 mil famílias no Líbano dependem diretamente da olivicultura, uma atividade que integra as tradições culturais e religiosas da região. A oliveira, símbolo de paz e resistência, é cultivada há mais de seis mil anos no território que hoje corresponde ao Líbano.
Além de fomentar a economia rural, as exportações fortalecem o setor agroindustrial e contribuem para a imagem do país no exterior, especialmente em um contexto de recuperação econômica. “Nosso objetivo é consolidar o azeite libanês como sinônimo de qualidade e tradição. Não apenas para a nossa marca, mas para todo o setor produtivo do país”, enfatiza Tony Maroun.
A presença do azeite libanês no Brasil, portanto, transcende interesses comerciais. Ela reforça os vínculos históricos entre os dois países, amplia as oportunidades de negócios para o agronegócio libanês e projeta internacionalmente uma imagem de qualidade e resiliência. O desafio, agora, é expandir ainda mais esse mercado e inserir o produto em novos nichos de consumo, como a gastronomia de alto padrão e o setor de produtos naturais.
O exemplo da família Maroun ilustra como tradição e inovação podem caminhar juntas, fortalecendo o agronegócio libanês e abrindo portas para um futuro mais promissor para o Líbano e seus produtores.







