Home Brasil Brasil: Homem que atacou muçulmanas permanece preso e responderá por racismo, crime...

Brasil: Homem que atacou muçulmanas permanece preso e responderá por racismo, crime inafiançável, afirma delegado

3
0
Delegado Geraldo Evangelista, explica que o suspeito mantém histórico de agressão contra muçulmanos em Foz do Iguaçu (PR). Imagem: Reprodução do Facebook

Beirute — O homem de 33 anos preso após agredir duas mulheres muçulmanas em um shopping de Foz do Iguaçu, no sul do Brasil, permanece detido e será submetido à audiência de custódia ainda nesta sexta-feira (13). Ele foi autuado em flagrante pelos crimes de lesão corporal e racismo, segundo informou a Polícia Civil do Paraná.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Geraldo Evangelista, o suspeito já é conhecido das autoridades desde 2018 por episódios de hostilidade contra muçulmanos na cidade. Há registros de invasões a uma das mesquitas locais, onde ele teria interrompido celebrações religiosas. O delegado afirmou que o homem possui histórico de comportamento discriminatório e reincidência em ataques direcionados à comunidade islâmica.

As duas mulheres agredidas são estrangeiras, libanesa e síria e preferiram não se identificar por medo. Elas foram atacadas na área externa de um shopping e sofreram ferimentos. Testemunhas relataram à polícia que, durante a agressão, o suspeito proferiu xingamentos de cunho discriminatório, citando árabes, Hezbollah e Hamas.

Foz do Iguaçu abriga a segunda maior comunidade árabe e islâmica do Brasil, atrás apenas de São Paulo. A cidade possui duas mesquitas e é considerada um dos principais polos históricos da diáspora árabe no país. O episódio gerou forte apreensão entre moradores e lideranças religiosas locais, sobretudo pela repetição de ataques anteriores atribuídos ao mesmo indivíduo.

Segundo a autoridade policial, o crime de racismo possui pena que varia de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. A conduta é considerada inafiançável e imprescritível, conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF), o que significa que não admite pagamento de fiança e pode ser punida independentemente do tempo decorrido.

A audiência de custódia deverá avaliar a manutenção da prisão e as circunstâncias da autuação em flagrante. Enquanto isso, a comunidade islâmica de Foz do Iguaçu acompanha o caso com preocupação e reforça pedidos por proteção e respeito à liberdade religiosa no Brasil.