Exército libanês amplia operações para retirar bombas e mísseis israelenses que não explodiram e continuam colocando em risco a vida de famílias que retornam às suas casas no sul do país
BEIRUTE — Enquanto os ataques israelenses continuam atingindo o sul do Líbano, outro desafio cresce silenciosamente nas cidades afetadas pela guerra. Equipes especializadas do Exército Libanês intensificaram, nos últimos dias, as operações para localizar e remover munições israelenses que permaneceram espalhadas pelo território sem explodir.
As ações foram realizadas nas cidades de Harouf e Kfour, no distrito de Nabatieh, além de Srifa, Maaroub e Kfar Dounin, na região de Tiro e Bint Jbeil. Entre os artefatos encontrados estão ogivas de mísseis e outros explosivos deixados após os bombardeios.
Todo o material recolhido foi transportado para áreas seguras, onde passará por procedimentos de desativação. O objetivo é reduzir os riscos para a população que, aos poucos, começa a retornar às cidades destruídas pela guerra.
A presença dessas munições representa uma das consequências mais duradouras dos conflitos. Mesmo quando os bombardeios diminuem, os explosivos não detonados continuam transformando ruas, plantações, quintais e áreas agrícolas em locais de alto risco. Um simples contato com esses artefatos pode provocar explosões fatais.
No sul do Líbano, milhares de famílias enfrentam o dilema entre reconstruir suas vidas ou conviver diariamente com a possibilidade de encontrar explosivos escondidos entre os escombros. Além de ameaçar moradores, as munições dificultam a retomada da agricultura, atrasam obras de reconstrução e impedem o retorno seguro às comunidades mais atingidas pelos ataques.
Para muitos brasileiros, o fim de um bombardeio pode significar o encerramento do perigo. No Líbano, porém, a guerra continua presente mesmo quando o silêncio toma conta das cidades. Antes que escolas sejam reabertas, lavouras recuperadas e casas reconstruídas, é preciso remover um inimigo invisível que permanece enterrado sob o solo.







