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Homem envia diariamente mensagens no WhatsApp da noiva morta na explosão

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Todos os dias Gilbert Karaan conversa no WhatsApp com sua noiva Sahar, embora ela tenha sido morta na explosão que devastou Beirute há exatamente um ano. Paralisado pela dor, o jovem de 31 anos recarrega o celular de sua parceira para que mensagens não respondidas continuem sendo recebidas pelo aparelho.

Em torno dele, os contornos de sua casa formam uma espécie de santuário para sua companheira de sete anos, que era paramédica do corpo de bombeiros e estava de plantão no dia em que foi morta. Não há lugar que não tenha uma foto ou pintura de Sahar Fares, 27, sorrindo em seu uniforme. Até o corpo de Gilbert é um santuário: o rosto de Sahar está tatuado em seu antebraço esquerdo, o nome dela rabiscado em seu pescoço.

“Dizem que a vida continua, mas a minha parou no dia 4 de agosto de 2020, não dá para continuar”, diz ele. O rosto afundado de dor e tendo perdido mais de 10 quilos nos últimos 12 meses, ele conta, ” estou vivendo isso todos os dias. Eu não consigo dormir. Ainda acho que ela está apenas viajando. Não consigo imaginá-la sem passar pela porta da frente”, lamenta.

A pior parte foi que Gilbert estava em uma videochamada com Sahar, poucos minutos depois das 6h da tarde de 4 de agosto, quando toneladas de materiais explosivos armazenados indevidamente explodiram no porto de Beirute, matando-a instantaneamente. Sua equipe do corpo de bombeiros de Beirute foi destacada para ajudar a apagar o incêndio no hangar 12 que continha o arsenal de explosivos. Ela não tinha ideia de que estava caminhando para a morte.

A última coisa que Gilbert viu naquela vídeo chamada foi fumaça e fogo ondulando atrás de seu rosto aterrorizado. Ele gritou para ela correr e por alguns minutos ela o fez. Seu mundo balançava para frente e para trás no prisma da tela do telefone. Então a linha de repente ficou muda. Dois segundos depois, a explosão me jogou no chão, diz ele, engolindo as palavras com uma pausa.

Depois da explosão que matou 217 pessoas e feriu mais de 7.000, as famílias das vítimas e dos sobreviventes da explosão disseram  que não podem esquecer aquele dia, porque muito pouco mudou e houve tão pouco progresso.

No centro da raiva e do desespero está o fato de que ninguém foi responsabilizado pelo que se acredita ser uma das maiores explosões não nucleares da história moderna.

Na tarde da quarta-feira (04), os libaneses protestaram e pediram justiça. O clima era de tristeza e dor pelas ruas de Beirute.