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As tentativas de assassinato de Israel no Líbano

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Apoiadores acompanham os funerais em Beirute. Imagem: APF

Um ataque com drones no bairro de Dahiyeh, no sul de Beirute, matou nesta semana líderes do Hamas, incluindo Salen- al-Arouri, vice-líder da ala política do grupo e fundador da ala militar Brigadas Qassam. A medida representa uma grande escalada regional na guerra de Israel em Gaza, que já matou mais de 22.000 pessoas no país até agora. Mas esta não foi a primeira vez que Israel executou um assassinato dentro do Líbano.

Al-Arouri vivia exilado no Líbano desde 2015. Israel não assumiu a responsabilidade pelas mortes, mas é considerado altamente provável que Tel Aviv tenha ordenado o assassinato.

Durante décadas, Israel tem como alvo líderes palestinos no Líbano, um reduto do aliado do Hamas, o Hezbollah. No entanto, a morte de al-Arouri ocorre após uma pausa de 18 anos em uma longa lista de tentativas e assassinatos políticos bem-sucedidos.

Um dos primeiros alvos de Israel no Líbano foi Ghassan Kanafani, um escritor e poeta palestino que foi assassinado em 8 de julho de 1972 em Beirute junto com sua sobrinha de 17 anos. Uma granada havia sido conectada ao interruptor de ignição de seu carro. Quando ele ligou o carro, isso acendeu uma bomba que havia sido plantada atrás do para-choque do carro.

Israel disse que a morte de Kanafani foi uma resposta a este ataque, mas acredita-se que o assassinato já estava sendo planejado bem antes disso.

Bassam Abu Sharif, que se tornou porta-voz da FPLP após o assassinato de Kanafani, também foi alvo de uma bomba em Beirute em 25 de julho de 1972. Abu Sharif sobreviveu à tentativa, mas sofreu ferimentos graves – perdeu parcialmente a visão e a audição, além de quatro dedos.

1973 – Resposta aos sequestros de Munique

Em 5 de setembro de 1972, membros do Setembro Negro, uma facção da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), sequestraram 11 atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Verão em Munique. Os reféns acabaram por ser mortos numa tentativa falhada de resgate pelas autoridades da Alemanha Ocidental.

Em resposta, Israel lançou uma campanha de assassinato chamada Operação Primavera da Juventude, para atingir os mandantes do sequestro. Viajando de barco de Haifa para uma operação que duraria de 10 a 11 de abril de 1973, as forças especiais israelenses desembarcaram na praia de Beirute com seu comandante, o futuro primeiro-ministro, Ehud Barak, disfarçado de mulher.

Eles invadiram um prédio alto e casas particulares de funcionários da OLP em Beirute e Sidon, que antes tinham sob vigilância, abrindo as portas com explosivos e disparando tiros até que seus alvos estivessem mortos. Três altos funcionários da OLP foram mortos: Muhammad Youssef al-Najjar, vice do líder da OLP, Yasser Arafat; o porta-voz Kamal Nasser; e Kamal Adwan, líder militar da Cisjordânia.

1973 – 2001 – Um longo plano para matar Yasser Arafat

Em 1º de outubro de 1973, Israel tentou assassinar Arafat, assim como os membros da OLP Khalil al-Wazir, Faruq al-Qaddumi, Hani al-Hassan e Wadi Haddad durante uma reunião em Beirute. Bombas lançadas sobre o prédio onde os homens estavam se encontrando, no entanto, não conseguiram detonar.

Os planos para assassinar Arafat continuaram por anos. A inteligência israelense mapeou vários planos para derrubar aviões comerciais que poderiam transportar Arafat, mas preocupações sobre as possíveis consequências políticas da morte de civis na tentativa dificultaram esses esforços.

Várias tentativas para eliminar Arafat foram lançadas entre junho e agosto de 1982. A Salt Fish, uma força-tarefa israelense criada para esse único propósito, lançou vários ataques a bomba em possíveis locais de Arafat, mas nenhum foi bem-sucedido em matá-lo.

Em 2001, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que considerava Arafat um “assassino de judeus”, decidiu finalmente parar de tentar assassiná-lo.

1988 – Tentativa de matar Ahmad Jibril

Em 9 de dezembro de 1988, Israel invadiu bases palestinas no sul do Líbano, tendo como alvo Ahmad Jibril, então secretário-geral do Comando Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP-GC). Comandos invadiram locais nos arredores de Beirute, mas enfrentaram forte resistência de combatentes palestinos. Vários agentes palestinos foram mortos. Mais tarde, foi revelado que Jibril nunca esteve naquele local.

2006 – Assassinato de Sidon

Em 25 de maio de 2006, Mahmoud al-Majzoub, um líder sênior do grupo armado palestino Jihad Islâmica e um aliado próximo do Hezbollah, foi assassinado na cidade de Sidon. Um carro-bomba preso à porta do carro de al-Majzoub explodiu quando ele a abriu. Israel negou a responsabilidade pelo ataque, mas tanto a Jihad Islâmica quanto o Hezbollah responsabilizaram Tel Aviv. Nidal al-Majzoub, seu irmão, também foi morto.

2024 – A guerra em Gaza

Em 2 de janeiro, um ataque de drone nos subúrbios de Dahiyeh, no sul de Beirute, deixou Saleh al-Arouri morto. Outros seis, incluindo os comandantes militares de alta patente do Hamas, Samir Findi e Azzam al-Aqraa, também foram assassinados. Os homens estavam no segundo andar de um prédio de apartamentos.

Israel não reivindicou a autoria do ataque, mas o primeiro-ministro interino do Líbano, Najib Mikati, chamou o assassinato de “crime israelense”. O Hezbollah disse que o ataque à capital do Líbano “não passará sem punição”.