
A notícia chegou como uma bomba na comunidade libanesa que vive no Brasil. Parte dos libaneses, inconformados com o tratamento que Khaled Mohamad Majzoub (52) está recebendo das autoridades libanesas, em Jib Janine, no Vale do Bekaa, resolveram formar um grande movimento voluntário, composto por libaneses e descendentes de diversas partes do Brasil. Eles prometem ir às ruas nos próximos dias e pedir que o empresário seja liberto e possa dar continuidade ao tratamento médico em São Paulo.
A comunidade libanesa que vive no Brasil, formada em sua maioria por descendentes, é dobro da população que vive aqui no Líbano. E é parte dessa mesma comunidade, com a maior concentração na cidade de São Paulo, que promete protestar em prol do casal Majzoub.
O movimento trata-se de uma reação à morosidade e ao silêncio da justiça libanesa, que de acordo com os advogados de defesa do casal, insiste em manter o empresário preso sem nenhuma acusação ou provas.
Majzoub mantém nacionalidade brasileira, está preso no Bekaa há quase nove meses e segue impedido de receber atendimento médico necessário para o seu tratamento de saúde.
O Itamaraty, alega que ele está no seu país de origem, mas o Setor Consular continua acompanhando o caso.
A nossa equipe de reportagem teve acesso aos e-mails trocados entre alguns políticos descendentes e o corpo diplomático brasileiro em Beirute. As respostas chegaram sem muito avanço.
“Trata-se de dois cidadãos binacionais, que se encontram no território de seu próprio país e, portanto, sujeitos às leis e ao processo legal conduzido pelas autoridades libanesas”, diz um dos trechos dos e-mails trocados.

A Embaixada do Líbano no Brasil, também afirma não ter novas informações, além dessas já divulgadas pela imprensa e que segue acompanhando o caso do libanês, que vive no Brasil há mais 35 de anos.
Protestos em prol do casal
Nas redes sociais, diversas publicações em tom de protesto e pedido de justiça estão sendo publicadas, após membros da comunidade libanesa tomarem conhecimento do caso.
É o que diz Afil Bakri, “lamentavelmente, a gente entende a crise financeira, econômica e política no Líbano, mas uma crise na justiça e nos direitos humanos de acesso ao tratamento médico e remédios é inaceitável”.
“Oremos para ele sair logo, pois ninguém merece tanta humilhação e sofrimento”, disse Karla Abbas.
No final do verão de 2021, Mona Abdul Latif El Majzoub se juntou ao marido em mais uma viagem para o Líbano. O motivo seria buscar aconchego entre os familiares, após o final do ciclo de quimioterapia que ela tinha acabado de se submeter por causa de um diagnóstico de câncer nos ossos.
Na madrugada do dia 22 de agosto, logo após deixarem um famoso restaurante na cidade de Anjar, onde jantaram na companhia de uma amiga, Majzoub e Mona, retornavam para cidade de Ghazze, quando foram surpreendidos por diversos disparos de arma de fogo.

A amiga síria, Anam Ballat, seguia em carro separado, quando acabou atingida pelos disparos e morreu ainda no local. O casal, assustado, conseguiu fugir e poucos metros depois, acabou batendo o carro em um muro. Mona desmaiou, foi socorrida e levada para atendimento médico na região.
Na manhã seguinte, o casal, acreditando ter sido vítima de um atentado, foi até a delegacia como vítima e testemunha do caso. O propósito era registrar um Boletim de Ocorrência (B.O).
Majzoub foi interrogado por horas e sem nenhuma justificava, segundo os familiares, permanece preso até hoje.

O casal veio ao Líbano no verão de 2021, após Mona terminar o ciclo de quimioterapia. Imagem: Arquivo PessoalMona foi detida dois dias depois que o marido e permaneceu presa por um período de quatro meses. Foi solta após pagar uma fiança de 200 dólares e segue impedida de deixar o país.






