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Vale do Bekaa: Libanês com nacionalidade brasileira está preso e sem acesso ao tratamento contra o câncer

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Majzoub segue preso no Líbano. A defesa alega que não existe nenhum tipo de acusação contra ele. Imagem: Arquivo Pessoal

Lutando contra um câncer de intestino, ao 52 anos, o empresário libanês Khaled Mohamad Majzoub está impedido de dar continuidade ao tratamento de saúde no Brasil, onde vive há mais de 35 anos.

Hoje, o empresário enfrenta mais um grande desafio. Está preso há quase nove meses no Líbano e nenhum dos seus advogados libaneses ou no Brasil, conseguiram ter acesso aos documentos que justifiquem o motivo da sua prisão, em Joub Jannine,  no Vale do Bekaa.

No final do verão de 2021, Mona Abdul Latif El Majzoub se junto ao marido em mais uma viagem para o Líbano. O motivo seria buscar aconchego entre os familiares, após o final do ciclo de quimioterapia que ela tinha acabado de se submeter por causa de um diagnóstico de câncer nos ossos.

O casal continua no Líbano. Imagem: Reprodução do Facebook

Na madrugada do dia 22 de agosto, logo após deixarem um famoso restaurante na cidade de Anjar, onde jantaram na companhia de uma amiga, Majzoub e Mona,  retornavam para cidade de Ghazze, quando foram surpreendidos por diversos disparos de arma de fogo.

O carro foi alvejado na região de Anjar. Imagem: Arquivo Pessoal

A amiga síria, Anam Ballat, seguia em carro separado, quando acabou sendo atingida pelos disparos e morreu ainda no local. O casal, assustado, conseguiu fugir e poucos metros depois, acabou batendo o carro em um muro. Mona desmaiou, foi socorrida e levada para atendimento médico na região.

Na manhã seguinte, o casal foi até a delegacia como vítima e testemunha do caso. O propósito era registrar um Boletim de Ocorrência (B.O). Majzoub foi interrogado por horas e sem nenhuma justificava, segundo os familiares, permanece preso até hoje.

“Os primeiros três dias dentro da prisão foram terríveis, com requintes de crueldade”, lamentam os familiares no Brasil.

No primeiro momento, existiram rumores de que o casal estaria envolvido no assassinato da amiga. Fato que não foi comprovado pela autoridades competentes e desmentido por familiares de Ballat, que por meio de documentos, inocentaram Majzoub e Mona de qualquer acusação.

Carta feita por familiares da vítima.

Mona, também acabou presa dois dias depois do marido. Os advogados do casal, alegam que ambas prisões ocorreram sem provas ou justificativas.

Após pagar fiança, no valor de 200 dólares, em dezembro de 2021, Mona foi liberada, mas segue impedida de deixar o país e dar continuidade ao tratamento de câncer no Brasil. Durante o período que permaneceu presa, ela esclarece que não recebeu qualquer atendimento oncológico.

O que apavora os familiares, é que no Líbano, de acordo com denúncia da ONU e de médicos locais, os pacientes com câncer estão perdendo o direito de lutarem pela vida por causa da falta de medicamentos e escassez de profissionais de saúde. O Líbano enfrenta uma grave crise econômica desde 2019 e todos os setores foram atingidos, inclusive, o da Saúde.

Majzoub alega que vive em condições desumanas dentro da prisão. Ele utiliza bolsa de colostomia desde que teve o tumor no reto. Por causa do cenário insalubre na prisão, ele teme que a sua saúde seja ainda mais comprometida por ser ostomizado.

O empresário faz tratamento oncológico no mais importante hospital do Brasil, o Sírio-Líbanês, na cidade de São Paulo. Para provar que necessita de cuidados, os advogados de defesa apresentaram laudos médicos traduzidos para o árabe e inglês, mas não foram aceitos pelas autoridades libanesas, alegando, segundo os advogados, de que se tratavam de documentos falsos, emitidos pelo Sírio-Libanês e assinado pelo médico mestre e doutor em cirurgia, Nadim Farid Safatle.

Laudo emitido por médico do Hospital Sírio-Libanês e contestado pelas autoridades libanesas.

O filho do casal, Walid El Majzoub, explica que tanto no Brasil quanto aqui no Líbano, todas as autoridades diplomáticas foram acionadas e nenhuma conseguiu justificar o motivo da prisão e o motivo da morosidade da justiça libanesa no caso dos seus pais. “Seguimos sem respostas. O tempo está passando e inocentes estão pagando por algo que não fizeram”.

Parte da família e amigos no Brasil. Imagem: Arquivo Pessoal

Sentido a falta dos avós, a filha de Walid, de dois anos, anda pela casa chamando por eles. “Eu não sei explicar o tamanho da nossa dor. Nos próximos dias nascerá a minha segunda filha. Não tenho os meus pais comigo no momento mais importante para uma família. Eles são inocentes e estão sendo injustiçados, mas não vamos descansar enquanto essa inocência não chegar”, afirma o filho.

Quem é Khaled Mohamad Majzoub?

É um empresário do segmento de móveis, na cidade paulista de São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Ele deixou o Vale do Bekaa aos 17 anos e seguiu para o Brasil com 100 dólares no bolso. Lá, vendeu roupas, construiu família e ao longo de muitos anos de trabalho, conquistou uma grande rede de móveis. Hoje, os empreendimentos movimentam a economia do país e empregam muitos brasileiros nas lojas da rede.

Majzoub junto com o cônsul libanês, Rudy El Azzi, e o deputado federal, Eduardo Cury, em São José dos Campos, em 2020. Imagem: Arquivo Pessoal

O empresário é muito respeitado na cidade e entre os membros da comunidade libanesa paulista.

O empresário participando de evento com membros da comunidade libanesa de São José dos Campos. Imagem: Arquivo Pessoal

Nas redes sociais, amigos de Majzoub lamentam o ocorrido e pedem por justiça.

“Khaled grande amigo e irmão, jamais faria mal a alguém. Um ser humano de bom coração, um grande pai de família, veio do Líbano ainda jovem e conseguiu vencer na vida com esforço e dedicação. Conheço toda sua família são todos trabalhadores. Não é justo o que esta acontecendo com ele no Líbano, já foi provada sua inocência e mesmo assim não o liberam. Que as autoridades libaneses vejam a injustiça que estão cometendo com um homem inocente”, disse AC Abdallah.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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