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Casal Majzoub foge da justiça libanesa

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O casal Majzoub agora é considerado foragido. Imagem: Arquivo Pessoal

O empresário libanês com nacionalidade brasileira, Khaled Mohamad Majzoub e Mona Abdul Latif El Majzoub fugiram da justiça libanesa na terça-feira (22), data da Independência do Líbano. Segundo informações de familiares, eles devem chegar no Brasil nos próximos dias. O empresário estava preso há quase 500 dias, após ter presenciado o assassinato da síria, Anam Ballat, na cidade de Anjar, no Vale do Bekaa, na noite do dia 22 de agosto de 2021.  A defesa sempre negou participação do casal no crime.

Há seis meses, ele conseguiu ser transferido para um hospital particular também no Bekaa e cuidar de um quadro grave de hepatite. Mona também foi presa logo após o crime, mas conseguiu o direito de esperar o andamento do processo em liberdade por ser paciente oncológica. Ela não poderia deixaria o Líbano sem autorização das autoridades.

Cansado de esperar por justiça, Majzoub decidiu efetuar fuga. Agora o casal é considerado foragido. Eles estão sendo procurados pela justiça libanesa. De acordo com familiares e amigos, o casal deixou o país na quarta-feira (23).

Autoridades diplomáticas libanesas no Brasil, não quiseram comentar o assunto, mas informaram que o caso está sendo tratado pelos tribunais responsáveis por assunto judiciais do país.

O Líbano não poderá extraditar o casal Majzoub

Como o Líbano não tem tratado de extradição com o Brasil, espera-se que o caso do casal Majzoub seja resolvido entre um acordo diplomático entre os dois países.

O Itamaraty informou que o Brasil e o Líbano assinaram um acordo de extradição em 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso. O texto foi ratificado no Brasil, mas segundo o governo brasileiro, o Líbano ainda não aprovou.
A legislação penal libanesa impedia que fosse concedida a extradição a não ser para países que tenham o tratado, o que não era o caso do Brasil.

Os familiares se queixaram muito do silêncio por parte das autoridades brasileiras. O Hermano Telles Ribeiro, embaixador do Brasil no país, rebateu e afirmou que o caso do cidadão que mantém binacionalidade sempre foi acompanhado por meio do Consulado Geral em Beirute, e ofertou assistência consular cabível, de acordo com o que determina as leis locais.

Durante o tempo que permaneceu preso, indignados, familiares de Majzoub denunciaram que por inúmeras vezes, o empresário esteve privado de água dentro da prisão, na cidade Jib Janine, no Bekaa.

Fato desconhecido pelo Brasil, informou o embaixador Telles Ribeiro. “Na prisão, membros do Setor Consular fizeram visitas ao cidadão binacional e nenhuma das vezes, ele informou sobre essas questões”, explicou o embaixador brasileiro em Beirute.

ENTENDA O CASO
O empresário libanês esteve preso por mais de um ano no Líbano e nenhum dos seus advogados libaneses conseguiram até o momento ter acesso aos documentos que justifiquem o motivo da sua prisão.

No verão de 2021, Mona Abdul Latif El Majzoub se juntou ao marido em mais uma viagem para o Líbano. O motivo seria buscar aconchego entre os familiares, após o final do ciclo de quimioterapia que ela tinha acabado de se submeter por causa de um diagnóstico de câncer.

Na madrugada do dia 22 de agosto, logo após deixarem um famoso restaurante na cidade de Anjar, onde jantaram na companhia de uma amiga síria, Majzoub e Mona, retornavam para cidade de Ghazze, quando foram surpreendidos por diversos disparos de arma de fogo. O atentado resultou na morte Anam Ballat.

Majzoub foi preso quando foi registrar uma queixa por ter sofrido o atentado. Quatro dia depois, Mona também foi presa e permaneceu na cadeia por quase quatro meses. Após pagar uma fiança no valor de 200 dólares, conseguiu o direito de esperar as investigações em liberdade, mas não pode deixar o país.