
Especialistas apontam mudança na política israelense ao longo das últimas décadas e destacam desafios para uma solução regional
BEIRUTE, LÍBANO – O atual cenário de instabilidade no Oriente Médio voltou a colocar em debate a estratégia de segurança adotada por Israel desde a criação do Estado israelense. Analistas destacam que duas correntes distintas marcaram a política externa e de defesa do país nas últimas décadas.
Uma delas tem como base a chamada doutrina da “muralha de ferro”, segundo a qual a segurança de Israel dependeria da manutenção de uma superioridade militar capaz de dissuadir ameaças externas. Essa visão foi defendida pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em seu livro Um Lugar Entre as Nações, publicado em 1993, no qual argumenta que a sobrevivência do Estado israelense está ligada à sua capacidade de preservar vantagem militar na região.
Outra corrente ganhou força após a Guerra do Yom Kippur, em 1973. Defensores dessa abordagem sustentavam que a segurança de Israel poderia ser alcançada por meio da integração política e econômica ao Oriente Médio, com base no princípio de “terra por paz”. A proposta previa a devolução de territórios ocupados em 1967 em troca do reconhecimento diplomático e de acordos de paz com os países árabes.
Essa estratégia resultou em importantes avanços diplomáticos. Em 1978, Israel assinou um tratado de paz com o Egito, devolvendo a Península do Sinai. Em 1994, foi firmado um acordo semelhante com a Jordânia. Os Acordos de Oslo, celebrados na década de 1990 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina, também integraram esse esforço de aproximação.
Durante o governo do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, negociações com a Síria incluíram discussões sobre a devolução das Colinas de Golã em troca de um acordo de paz. O processo, no entanto, foi interrompido após o assassinato de Rabin, em 1995.
Em 2002, os países árabes apresentaram a Iniciativa de Paz Árabe, durante a cúpula realizada em Beirute. A proposta previa o reconhecimento de Israel por todos os membros da Liga Árabe em troca da retirada dos territórios ocupados desde 1967 e da criação de um Estado palestino. A iniciativa permanece como uma das principais referências diplomáticas para uma solução negociada do conflito, embora não tenha sido implementada.
Especialistas afirmam que o impasse entre as diferentes visões sobre segurança, ocupação territorial e reconhecimento mútuo continua sendo um dos principais obstáculos para uma paz duradoura no Oriente Médio.






