Simone Tebet (MDB) declarou apoio ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno da eleição presidencial. A emedebista ficou em terceiro lugar, com 4,16% dos votos, no primeiro turno, no último domingo (2).
No primeiro turno, com um tom mais pesado, Tebet atacou Lula e parte da ala do MDB que entendia que ela não era a melhor opção do partido na disputa presidencial. O senador Renan Calheiros (MDB) queria que o partido apoiasse Lula no primeiro turno e Tebet rebateu, “sempre esteve do lado errado da história”.
A então vice da chapa da emedebista, a senadora Mara Gabrilli, também fez sérias acusações contra Lula, entre elas, a dele ter pagado R$ 12 milhões para não ser exposto “como mentor do assassinato” de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André (SP).
“Desde o princípio, o Ministério Público de São Paulo acabou encobrindo o caso. E quem que era o governador na época? Geraldo Alckmin. E hoje estão juntos, Geraldo Alckmin e Lula, com uma mácula dessa, um assassinato brutal desse”, acrescentou.
Tebet votou impeachment pelo Dilma
Simone Tebet foi, ainda, apoiadora do impeachment de Dilma Roussef, em 2016. Em seu voto, ela afirmou que a presidente tinha cometido irresponsabilidade fiscal.
“Pelos crimes de responsabilidade fiscal cometidos pela senhora presidente da República no ano de 2015, mas principalmente pelas consequências nefastas a esta e às futuras gerações que pagarão essa conta, fruto dessa irresponsabilidade fiscal, por todo o mal que causou e está causando à população brasileira, eu voto a favor do impeachment da senhora presidente da República, mas mais do que tudo, voto na esperança, na esperança de melhores dias.”
Simone Tebet não herdou apenas o legado político do pai, o ex-ministro e ex-presidente do Senado Ramez Tebet. Falecido em 2006, Tebet deixou aos quatro filhos uma fortuna em imóveis no Mato Grosso do Sul, entre os quais estão três fazendas, uma em Três Lagoas, outra em Fátima do Sul e uma terceira em Caarapó, a Santo Antônio da Matinha, de 860 hectares, no extremo sul do estado, registrada entre os bens da senadora pelo modesto valor de R$ 457 mil. Segundo o Conselho Missionário Indigenista (Cimi), o imóvel faz parte de uma grande extensão de terras reivindicadas pelos índios Guarani-Kaiowá, a Tekoha Pincorock, na Terra Indígena (TI) Amambaipeguá, em Caarapó. A portaria que daria início à demarcação e à homologação, elaborada pela Funai, foi publicada no final do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, mas engavetada nos governos posteriores. Na área estão cerca de 80 fazendas cuja posse é questionada pelos indígenas.
As terras da senadora integram o circuito dos históricos conflitos entre ruralistas e indígenas, que no dia 24 de junho passado, em Amambai, no sul do estado, resultaram na morte de Vito Fernandes, de 42 anos, e outros oito feridos, por uma tropa de choque da Polícia Militar (PM) do Mato Grosso do Sul, numa operação legalmente questionável, já que a atribuição de atuar em conflitos envolvendo indígenas é da Polícia Federal (PF). Caarapó foi palco também de outros ataques: um deles, em junho de 2016, na fazenda Yvu, que fica na mesma área das terras de Simone Tebet, onde um grupo de fazendeiros, ocupando mais de 40 caminhonetes, disparou contra indígenas, matando um deles, Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, de 26 anos, e deixando outros oito feridos.
Indígenas
Como senadora, Tebet também se colocou contra as reivindicações dos Guarani-Kaiowá. Uma publicação do Cimi, de setembro de 2018, lista Simone Tebet entre os parlamentares que mais atuaram contra os direitos indígenas no Parlamento.
O destaque vai para o Projeto de Lei 494/15, apresentado ao Senado, que visa alterar a Lei nº 6.001/73, o Estatuto do Índio, com o objetivo de interromper qualquer ato de demarcação em “caso de turbação, esbulho ou ocupação motivada por conflitos” nos dois seguintes anos à sua desocupação. Segundo a publicação, ela apoia também a PEC 45/13, que altera o artigo 231 da Constituição Federal, para vedar a demarcação de terras indígenas em áreas tradicionais.







