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“O Líbano está à beira do abismo”, diz padre Gabriel Hachem

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Famílias libanesas brigam na justiça por bens no Paraguai e no Brasil. Imagem: Divulgação

Desde a eclosão da guerra civil em 1975 até hoje, o Líbano, nunca conheceu a paz e a estabilidade. A população, incluindo os cristãos, resistiu. Mas desde o dia 7 de outubro e do início da guerra em Gaza e em Israel, tendo em conta o conflito com o Hezbollah,  a situação tornou-se infernal, não só na região sul, próximo da fronteira com Israel, mas em todo o Líbano, com uma paralisia econômica e política que corre o risco de pôr em perigo a própria identidade do país, explica o padre Gabriel Hachem, teólogo da Université Saint-Esprit de Kaslik.

O Líbano está sem presidente há quase dois anos, um cargo institucional que no sistema libanês cabe aos cristãos e representa um símbolo de coexistência e respeito pela pluralidade. O governo também se demitiu, os ministérios só tratam dos assuntos correntes em um momento em que o país necessita mais do que nunca de decisões para o seu futuro, a sua identidade e a sua estabilidade.

“Os desafios políticos regionais e internacionais complicam a causa libanesa e deixam a população na incerteza e na angústia. Os jovens, quer muçulmanos como cristãos, se apressam em deixar o Líbano para buscar refúgio e um futuro melhor no exterior. Os pais, que muitas vezes não dispõem de meios econômicos próprios devido à crise financeira e bancária que assolou o país há quase cinco anos, esperam ajuda e solidariedade dos filhos ou de associações caritativas e ONGs para comprar medicamentos e satisfazer as suas necessidades primárias de sobrevivência”.

O padre também reforça as inúmeras tentativas do Vaticano, “não obstante as tentativas, a diplomacia do Vaticano não conseguiu convencer os líderes dos partidos políticos cristãos a chegar a um acordo sobre um candidato à presidência e a por fim ao caos atual. As diversas Igrejas estão trabalhando por meio de suas associações de caridade para apoiar a população”.