Home Destaques Presos há mais de um ano no Líbano, casal de brasileiros segue...

Presos há mais de um ano no Líbano, casal de brasileiros segue sem julgamento

286
0
Brasileiros presos no Líbano há mais de um ano. Imagem: Reprodução das Redes Sociais

Há mais de um ano presos, os brasileiros  de Carazinho (RS). Igor Antônio dos Santos Cabral (26) e Juliana Nunes do Nascimento (32), seguem entre as mais de 7 mil pessoas presas no Líbano. Eles foram acusados de tráfico internacional ao tentarem entrar no país com droga no início de dezembro de 2022.

O casal não contava que o Líbano mantém um forte esquema de segurança no Aeroporto Internacional de Beirute e consegue barrar entradas de drogas no país. Segundo o Governo do Brasil, além do casal de Carazinho, outros brasileiros estão entre os presos no Líbano.

“As estatísticas mais atualizadas disponíveis sobre brasileiros presos e detidos no exterior são de 31 de dezembro 2021. Trata-se de dados aproximados, considerando eventuais dificuldades para obtenção de estatísticas precisas por parte dos órgãos envolvidos”, informou as autoridades brasileiras.

O casal não conhecia o Líbano e tampouco falava árabe quando tentou entrar no país com mais de um quilo de drogas. No início, os dois encontraram muita dificuldade na comunicação dentro das prisões. Um pouco mais magro e sem contato telefônico constante com os familiares no Brasil, Cabral está entre os 80% da população carcerária do Líbano em prisão preventiva, de acordo com o Ministério do Interior do Líbano.

As prisões femininas em Baabda e Barbar Khazen, também seguem com superlotação. Dentro de dois dias,  a prisão de Roumieh e as prisões femininas de Baabda, Zahlé e Trípoli poderão ficar sem alimentos. As seis empresas que entregam alimentos nesses presídios anunciaram que suspenderão seus serviços a partir de 31 de dezembro. O motivo: falta de verbas e contas não pagas.

O Banco Mundial afirma que o Líbano está passando por um dos três piores colapsos econômicos globais desde 1850. A crise socioeconômica também se faz sentir nas unidades prisionais. A qualidade e a quantidade de refeições distribuídas pela administração prisional diminuíram nos últimos meses. A inflação diminuiu os meios financeiros dos reclusos e a dificultou a obtenção de alimentos.

MOROSIDADE

O casal segue sem uma data para o julgamento. No Líbano, os presos geralmente esperam meses ou anos antes da condenação, muito além dos limites estabelecidos pela lei libanesa. Como o caso do casal Majzoub. Mona Abdul Latif e Khaled Mohamad Majzoub fugiram do Líbano e foram para o Brasil. Ele aguardou mais de um ano preso. 

O Brasil pode prestar assistência, mas de forma alguma intervir nas leis locais. O crime ocorreu em território libanês e o casal aguardará o julgamento no Líbano. Se condenado, o casal pode permanecer preso no país por oito anos. Não existe possibilidade de extradição. O Brasil e o Líbano não assinaram o acordo de extradição proposto em 2002, no governo Fernando Henrique.