
Familiares de Khaled Mohamad Majzoub conseguiram, por meio de uma ordem judicial, que ele seja encaminhado ‘urgente’ para um hospital particular no Vale do Bekaa. A falta de combustível nos carros da polícia estaria dificultando a transferência ainda hoje para o hospital, segundo informou os advogados de defesa.
Na semana passada, os advogados de Majzoub, em posse de um relatório médico atualizado, já haviam solicitado a transferência do paciente para um hospital, mas teria sido negada. Eles recorreram e apontaram que Majzoub precisava de atendimento médico especializado urgente.
Preso em Jib Janine, no Bekaa, Majzoub faz parte do grupo de risco, é paciente oncológico, enfrenta um quadro severo de diarreia, foi diagnosticado com hepatite C e pedras nos rins.
Majzoub está encarcerado há 278 dias por um crime do qual foi testemunha. Inicialmente em caráter de interrogatório, depois de ter presenciado o assassinato de uma empresária síria – uma amiga da família que estava em visita no Vale do Bekaa.
De testemunha ocular do crime, Majzoub, um libanês com nacionalidade brasileira, que vive no Brasil há 35 anos, dono de uma grande rede de móveis na cidade paulista de São José dos Campos, passou a ser considerado suspeito pela justiça libanesa, mas até o momento, a justiça não apresentou nenhuma prova que possa incriminá-lo. O processo segue em segredo de justiça.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Majzoub recebeu duas visitas do Setor Consular, “cientes de sua condição de saúde, intervieram diretamente para que fosse permitido ao cidadão estar acompanhado de médico próprio quando da realização de exames em hospital local.”
Familiares contestaram e disseram que nunca receberam nenhum contato do Consulado do Brasil com essa informação. Para eles, o silêncio do Brasil está sendo devastador.
“A única vez que tivemos contato com alguém do Consulado do Brasil, foi quando eu liguei, quase chorando, implorando para que eles nos ajudassem na transferência do meu irmão para um hospital. Infelizmente, não passou disso. Não tivemos nenhum tipo de ajuda do Brasil até o momento. Meu irmão paga impostos, gera emprego, vota no Brasil e ninguém se mobiliza para ajudá-lo. É uma realidade triste,” reclama Ali Majzoub.






